Prólogo de Uma Aventura a 5

15 06 2008

O processo de tutoria/orientação na investigação e projecto foi um dos mais aliciantes que vivi durante a minha experiência enquanto docente.

Considero que esta entrega, este diálogo, são uma das actividades mais enriquecedoras quer para o docente/tutor com para o aluno/tutorando.

Certamente que este ano poderia ser mais profícuo se estivesse mais disponível para os meus 4 tutorandos. Ser simultaneamente docente do 1º ano de Artes Plásticas (120 alunos efectivos), de Arte e Espaço, coordenar outros projectos relacionados com o Departamento de Escultura e estar no 3º ano de um doutoramento foi complexo.

Os resultados que se foram obtendo em 3 apresentações durante o ano e esta apresentação final, decorrem da seriedade de um trabalho em equipa, simultaneamente divertido, com momentos inesquecíveis para todos.

A apresentação/exposição O Território pretende ser uma mostra de alguns dos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano e o reflexo dos pressupostos de cada um.

Assim podemos fruir do resultado dessas pesquisas e de uma pequena parte de uma grande história vivida com cada um e com o grupo: o André, a Cátia, o Manuel e a Joana.

A todos pedi, inicialmente o mesmo e defini com todos algumas regras comuns.

São às centenas os e-mails entre os 5 e às dezenas as reuniões que fizemos os 5.

Começaram as ideias para projectos em co-autoria, em parceria… uma aventura a 5.

Com esta experiência tive o prazer de conhecer a Joana e de descobrir uma Cátia, um André e um Manuel que ainda não conhecia.

Personalidades completamente distintas, universos plásticos que se tocam aqui e ali e que só se aperceberam disso porque se encontraram, se confrontaram e discutiram criando afinidades.

O universo feminino, uterino e simultaneamente sensual da menina/mulher que procura o corte umbilical pela viajem num parto sem dor. A Joana Rêgo parece renascer preparando-se para a libertação.

As recordações e memórias afectivas, que se soltam dolorosamente do corpo e da mente da Cátia Oliveira como poemas visuais carregados de encontros e desencontros, de mergulhos constantes ao seu mais profundo EU e os regressos ainda vestidos de veludo, porcelana ou seda com cheiro a lavado.

As procuras para as respostas ao afecto, à existência, à permanência, ao tempo, ao espaço, ao sentido da vida, colocadas pelo André Rosário de forma subtil e inteligente, quando fala de si e foge com medo de se encontrar. Tu estás ENTRE.

O Manuel Horta e as suas críticas duras e cruas de quem quer ver limpo o que está sujo, nu o que está vestido/disfarçado, que se envolve, descobre, reinventa caminhos e pretextos de quem mais ordena.

Todos exprimem plasticamente as suas experiências ou de como se encontram no mundo em que vivem, mas nem todos têm um discurso autobiográfico.

Todos se entregaram a um projecto com cada vez mais intensidade.

Todos falharam e todos souberam descobrir as falhas e perceber com são importantes para que não se repitam da mesma forma.

Todos conquistaram os seus primeiros objectivos e todos conseguiram superá-los.

Neste processo de análise, descoberta e pesquisa, fomos traçando territórios, fomos testando e sendo testados, numa aventura que nos altera as entranhas, nos fez rir, chorar, crescer individualmente e em grupo.

É um prazer trabalhar com eles, e eles sabem que sim.

Rute Rosas

(Assistente do Departamento de Escultura da FBAUP)





O Território

12 06 2008





Uma Aventura dos Cinco

12 06 2008